terça-feira, 22 de fevereiro de 2011

A IMPORTÂNCIA DA LEITURA

Helena Martins (1989) afirma: "Bastará, porém, decifrar palavras para acontecer a (verdadeira) leitura?" Para muitos estudiosos a resposta é não! De fato a compreensão daquilo que se lê depende do conhecimento de mundo do leitor. Como podemos assimilar algo que não conhecemos? Para que possamos imaginar situações diversas durante uma leitura, é preciso ter a noção daquilo que existe ao nosso redor. Daí a ênfase dada por Paulo Freire (1982) de que "a leitura do mundo precede a leitura da palavra." De modo sucinto, passamos a ler realmente quando somos capazes de perceber o real significado das palavras, quando elas passam a ter um sentido para nós. Assim, é natural inferir que a leitura vai além das letras. É comum, por exemplo, ouvirmos expressões como: "eu li no seu olhar que o dia estava péssimo."; "a leitura dos especialistas sobre o Brasil é de crescimento." Aqui fica claro que a leitura é vista como um processo de compreensão do mundo exterior a partir do mundo imediato de cada um, podendo ser despertado por um livro, um jornal, um programa de televisão, uma música, um gesto etc.
A ponte
Podemos passar muito tempo vendo diversas coisas ao nosso redor sem enxergá-las de fato, até que em um dado momento acontece um insight, uma "luz" em nossa consciência, que nos permite dar sentido ao que vemos. O mesmo acontece com a leitura de um texto. O que explica tal processo nada mais é do que a ocorrência de uma mudança em nós mesmos. Assimilamos no mundo algo que nos permitiu dar um significado àquele texto. O feeling do leitor agora é de poder dar um sentido àquelas palavras. Formou-se um elo entre o que se lê e o que se conhece.

Nesse contexto acerca da leitura com o mundo, é pertinente enfatizar, pois, o seu papel como um instrumento de acesso à cultura e percepção da realidade, haja vista possibilitar ela um grande passo rumo à cidadania. O indivíduo que é bem informado saberá não somente compreender os problemas sociais e embates políticos, mas também cobrar seus direitos. Já no século XIX, consciente disso, o poeta Castro Alves escreveu "O livro e a América", de que destacamos um fragmento: (Texto I)

Todavia, é necessário ressaltar também que, para que a leitura seja de fato um meio de crescimento do indivíduo na sociedade, é preciso que (e aqui concentraremos o nosso foco em nossa terra) o brasileiro adquira o hábito de ler e para tanto ele deve ser incentivado; e aí existe um campo que abre em caminhos os mais diversos. Nesse sentido, cabe o pensamento de Barbosa: (Texto II)

Percebe-se, portanto, que o hábito da leitura deve ser construído desde cedo, na base do aprendizado, o que infelizmente não ocorreu e, infelizmente, ainda não acontece em nosso país, por motivos os mais diversos - e estes passam por questões de ordem econômica, social, política e, principalmente, por conta de um valor apreendido por grande parte de nossa gente.

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