sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

BRICs se impõem

Alinhamento de países emergentes é obstáculo para plano dos Estados Unidos de pressionar a China (e seu câmbio artificial).

Na noite desta sexta-feira, os ministros das finanças e presidentes de bancos centrais das vinte nações mais ricas do mundo (que representam 85% da economia mundial) reuniram-se em um jantar no Hotel Marigny, em Paris, para dar início, oficialmente, ao encontro do G20.
O jantar teve papel protocolar, pois as cartas já estavam marcadas. Desde a primeira semana do ano, lideranças têm se movimentado para unir forças em nome de um denominador comum: o bem individual de cada nação.  Teoricamente, buscam-se soluções comuns para resolver os problemas que afligem a economia mundial. No entanto, tal objetivo é irreal, já que, na prática, cada país vive um momento econômico distinto e assimila os efeitos tardios da crise financeira de maneira diferente.
Como um consenso total é um inatingível, os governos decidiram agir em blocos. Os Estados Unidos foram pioneiros neste processo. Em sua visita ao Brasil no final de janeiro, o Secretário do Tesouro americano, Timothy Geithner, encontrou-se com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, e a presidente Dilma Rousseff para pedir apoio em seu embate velado com a China (e seu câmbio artificial). Após os acontecimentos desta sexta-feira, o único consenso é que Geithner fracassou.
Horas antes do jantar parisiense, os líderes dos países do BRIC – acompanhados de seu novo membro, a África do Sul – reuniram-se em um luxuoso hotel da capital francesa para confabular. O objetivo era obter um posicionamento alinhado e consistente a ser exibido no jantar e nos seminários do dia seguinte. A tomar pelas palavras de Mantega, a missão foi cumprida. “O bloco está caminhando para um consenso”, afirmou. Os três pontos de concordância foram: a criação de indicadores econômicos que apontem os desequilíbrios; a oposição ao controle dos preços dos alimentos; e a criação de uma cesta de moedas com mais influência do dinheiro emergente e menos dólares.
Segundo o ministro brasileiro, todos concordam que é preciso estabelecer um indicador que mostre a disparidade entre as economias – mas o problema é que ainda não se sabe qual. Mantega sugere que seja a conta de bens e serviços. Já os americanos preferem o saldo da balança comercial – algo que a China jamais concordaria, tendo em vista o colosso que representam suas exportações.

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